sábado, 8 de setembro de 2007
Socueeeerrrno Justiciero (cha cha cha)
Mas quando o "peruano que vivia na bolivia" que vende incenso na cidade baixa e é o maior loroteador da fauna noturna porto alegrense me olha nos olhos e diz em mal portunhol: "Usted precisa do incenso tal (não lembro qual é) porque yo vejo una gran confusion de sentimientos y usted deve ajustar el foco"
MEO DEUS! Foco! Essa é a palavra que eu ouvi repetidamente das minhas amigas... "foco, guria, foco..." e agora ouvia de um ilustre desconhecido. Deve estar muito evidente mesmo.
Pois bem... e essa do foco cai sobre a minha cabeça justo quando eu ando às voltas com em professor de fotografia pra lá de charmoso. E acho que a melhor maneira de aprender a aperfeiçoar o foco é com a ajuda de um professor de fotografia, não é mesmo?
domingo, 19 de agosto de 2007
Para ilustrar tudo isso que disse hoje
Uma musiquinha que um amigo mandou e caiu como uma luva. Vai o clipe também, que não tem nada a ver com o pastel, mas serve p/ escutar música, tão bonitinha...
I'll try anything once - the strokes
Ten decisions shape your life,
you'll be aware of 5 about,
7 ways to go through school,
either you're noticed or left out,
7 ways to get ahead,
7 reasons to drop round,
when i said ' I can see me in your eyes',
you said 'I can see you in my bed',
that's not just friendship that's romance too,
you like music we can dance to,
Sit me down,
Shut me up,
i'll calm down,
and i'll get along with you,
There is a time when we all fail,
some people take it pretty well,
some take it all out on themselves,
some they just take it out on friends,
oh everybody plays the game,
and if you don't you're called insane,
Don't don't don't don't it's not safe no more,
i've got to see you one more time,
soon you were born,
in 1984,
Sit me down,
shut me up,
i'll calm down,
and i'll get along with you,
Everybody was well dressed,
and everybody was a mess,
6 things without fail you must do,
so that your woman loves just you,
oh all the girls played mental games,
and all the guys were dressed the same,
Why not try it all,
if you only remember it once,
oooh ooooooh,
Sit me down,
shut me up,
i'll calm down,
and i'll get along with you
Dona flor
Até que... touché! Numa parada da música, um passo daqueles caidinhos e um beijo cinematográfico, luta vencida, levou a donzela. O outro, bom perdedor, soube se portar tão bem que na hora já me arrependi da escolha. Não falou nada, só nos abraçou disse que era muito grato por eu ter entrado na vida dele (mas vi nos olhos a decepção por ter sido só isso)e foi embora.
Duas horas depois, ele liga para o amigo.
- Não consigo dormir, tu cuidou bem dela?
- Tô cuidando
(até tava, no momento)
- Cara, não faz bobagem. Ela não é pra brincadeira, cuida dela, CUIDA CUIDA CUIDA, não rateia. CUIDA DELA, TÁ?
E no dia seguinte, o "cavalheiro vencedor" se mostrou ser um ogro, daqueles bem feios que são capazes de dizer "quer romance? vai ler um livro", sem ter sido sequer questionado sobre qualquer coisa a respeito. Cadê o cuidado? Ogro e capricorniano, eu devia ter suspeitado.
É, péssima escolha a minha, justo eu que queria tanto cuidado, abandonei aquele que queria tanto me proteger. Da próxima vez não serei tão darwiniana, não cairei nessa armadilha de escolher o mais apto... pode realmente ser uma canoa furada. E eu afundei.
Mas, como diria um amigo meu, se existem 10 decisões que moldam a tua vida, pelo menos umas 6, tu só vai saber depois de ter decidido da forma errada.
Ei, dá pra voltar a fita?
Mutante
Ao contrário disso, eu não faço cena, não sou santa, não poso de ingênua. Se tenho vontade, vou lá e faço, seja o primeiro ou décimo encontro. Pra que hipocrisia de fingir que "ai, hoje não"? Pra que joguinhos? Não sei, nem nunca soube blefar. Aí quando o sujeito chega e diz: "olha, quero ficar solteiro, vamos com calma." Eu digo "claro, tu tem todo o espaço do mundo e eu também, o que tiver de ser será". Mas pelo jeito a atitude blefe deveria ser "o queeee? entaõ tá, tchau pra quem fica", dar as costas e contar até dez, que o mancebo viria correndo. Mas não sei fazer isso.
Engraçado que a maioria dos homens diz que queria ter ao lado, uma mulher independente, que gostasse de sexo e não tivesse medo de demonstrar isso, uma mulher que fosse decidida, que não pressionasse e que não fizesse drama. E realmente, das experiências que tive, elogios não faltaram. Me admiram, me têm como referência, aprendem comigo e voltam sempre. Mas casam com as mulherzinhas que fazem beiço, donzelas que precisam de cavalheiros que as salvem e cuidem delas.
Será que ser verdadeira assusta os homens? Será que não depender deles e não ter medo de mostrar o que quer e o que sabe deixa eles inseguros? Poxa! Eu também queria ser cuidada! Também queria um cavalheiro que me salvasse, sem ter que fazer teatrinho para conseguir isso. Cansei de ser amante, admirada, mas descartável. Cansei de ouvir impropérios como "eu te adoro, tu é insubstituível, a melhor de todas nisso ou naquilo, mas tu não é namorável". E não, não pensem que eu sou uma vagabunda, vulgar ou qualquer coisa assim. Sou uma dama sim, mas não finjo ser donzela e isso, pelo jeito, dá medo neles. Será que eles temem a comparação? Temem não serem bons o bastante? Temem não serem realmente necessários e então abandonados? Aquela coisa de "melhor chutar do que ser chutado"...
when i said ' I can see me in your eyes,
you said 'I can see you in my bed
Cansei. Quero alguém que me cuide, de verdade, que me deixe ser vulnerável e não me machuque por isso. Mas não quero ter que fingir ser o que não sou ou lançar mão de joguinhos para conseguir isso. Será tão difícil? Precisa ser um homem de verdade, que tome as rédeas sem medo e sem se sentir intimidado, sem que para isso eu tenha que me fragilizar artificialmente.
Sit me down
Shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
!@#$%^&*()
O CONTRAPONTO
Seguinte: as culpadas somos nós, mulheres.
Somos nós que educamos nossos homens para quererem para si clones de suas mães. E a boa mãe não trepa! A boa mãe lida com a sexualidade do filho do modo mais maternal possível até que Édipo seja tão-somente aquele personagem do Felipe Camargo que o fez casar com a Vera Fischer.
A boa mãe é dócil, e cozinha, e arruma a cama, e dá remedinho na doença, e controla as namoradas do filho. Entendeu? AS NAMORADAS. A mãe é santa e pura e casta e fica de olho nas vagabundas que são sempre um produto do que há do lado de fora do recôndito do lar.
Do mesmo modo, somos nós, mulheres, que educamos nossas mulheres para continuar perpetuando esse comportamento. Ainda criamos nossas meninas num modelo repressor. Liberdade sexual? Bah-lela. Parafraseando umas jornalistas que li, boas meninas não confessam que estão no cio.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
A Pegada
Mas enfim, pra mostrar que esta que vos fala é uma pensadora absolutamente ligada com as questões contemporâneas, comecei a escrever lá em maio um rascunho de texto intitulado "A Pegada". Dizia o seguinte:
"Não foi preciso simpósio, congresso, convenção ou teleconferência pra se estabelecer o mais absoluto consenso: a gente gosta mesmo é de homem com pegada.
O que não é consenso é que precisamos de alguns quilômetros rodados pra perceber isso.
Gentileza é tudo na vida: literalmente, abre portas, estende a mão, cuida de nós. Mas na hora do vamos ver, quem é que quer gentileza?
A gente quer mesmo é aquela mão firme nas costas, aquele braço enlaçando sem pestanejar, os dedos enroscados nos nossos cabelos - curtos ou longos, que diferença faz pra quem tem pegada?
Quem de nós quer alguém pedindo licença? 'Posso te dar um beijo no pescoço?' 'Posso morder a tua orelha de leve?' 'Posso te encostar nessa parede?'
Nah. O negócio é mandar ver. Depois a gente vê no que deu, recolhe os mortos e feridos, bota band-aid e pancake que resolve."
Arquivei para momento oportuno.
E eis que o momento oportuno piscou na minha cara no Globo de sábado, eu acho.
Matéria intitulada "Elas querem é pegada", de autoria de Graça Magalhães-Ruether, correspondente em Berlim:
"A mulher, mesmo a emancipada, gosta de ser subjugada sexualmente pelo homem." A declaração é da precursora do feminismo na Alemanha, a psiquiatra e psicanalista Margarete Mitscherlich, hoje com 90 anos, que acaba de participar do 45. Congresso da Associação Internacional Psicanalítica, que termina hoje em Berlim. Foi o primeiro encontro do gênero realizado na Alemanha desde a SEgunda Guerra Mundial.
Logo depois de pronunciar a frase polêmica, Margarete ri e pede um favor: - Não me interprete de forma errada, o que eu disse é complicado, porque não significa que a mulher goste de um homem bruto que a violente. Mas ela gosta, sim, de um homem que mostre, de maneira forte, que está interessado nela.
As conclusões ela tirou durante as décadas em que atendeu mulheres e homens em seu divã no Instituto Sigmund Freud, fundado por ela e o marido Alexander Mitscherlich, morto em 1982, com quem ainda escreveu "A incapacidade para o luto", um best-seller que foi a primeira obra a se ocupar com a psique dos alemães depois da guerra. Apesar da idade e de um andador que usa para caminhar, seu rosto tem aparência jovial. A mente nem se fala. Margarete ainda dá palestras e garante que faz três sessões de análise por semana, no Instituto fundado por ela, que fica perto da sua casa.
Especialista no legado de Freud - "ele foi genial porque foi o primeiro a descobrir que as pessoas têm uma psique, que as mulheres gostam tanto de sexo quanto os homens, o primeiro feminista", diz - ela acha o pai da psicanálise ainda bastante atual. Explica que, na sociedade machista que existia antes da teoria freudiana, a mulher precisava, pelo menos nas impressões que deixava transparecer, gerar seus filhos como se fosse "uma imaculada".
E hoje? Margarete Mitscherlich, que foi recentemente autobiografada por duas jornalistas alemãs, defende uma certa característica "animalesca" nas relações sexuais, desde que ocorra por interesse livre dos dois.
Mas esse homem capaz de se import sexualmente - com uma bela pegada, como se diria no Brasil - é um animal ameaçado de extinção. Para a famosa psicanalista no entanto, a culpa não é do feminismo que tanto analisou ao longo de sua vida, mas sim de uma tendência geral da sociedade, que está se "feminilizando".
- Os homens estão cada vez mais adotando qualidades positivas da mulher, como cordialidade, paciência, compreensão, piedade.
Isso é bom, mas não para o sexo.
E segue.
Me senti uma vanguardista de primeira.
Meninos. Se liguem.
domingo, 15 de julho de 2007
Enquete do dia
Responda, por favor, optando por uma das alternativas ou, caso ache necessário, me indicando um psiquiatra de confiança.
a) Normal, sentimento de posse, aquele pedaço de carne é meu, yadda yadda yadda
b) É porque, vendo a criatura com outra pessoa, dá aquela sensação de incompetencia, de "por que não tá comigo?" "o que foi que eu fiz de errado?" "por que não eu?". Mesmo que tu saiba que jamais daria certo e que tu não quer aquela pessoa do teu lado.
c) Papinho p/ boi dormir, tu gosta da criatura ainda e tá só te fazendo de Salame. (Se essa alternativa for muito votada eu vou começar a me preocupar porque sinto isso com todos os exes, desde os primeiros)
d) Pensando bem, isso só acontece quando são os exes que te deixaram. Os que tu deixou, tu não quer ver pintado. Então é só um sentimento de looser mesmo.
e) Guria, tu é louca, perigosa e deve ser internada. Deixa eles serem felizes (sim eu deixo, mas isso me dói).
domingo, 8 de julho de 2007
Reparando injustiças
Entrei no bar me requebrando, como de costume há dez anos atrás. Chega o mocinho, também dançando. Pára todo mundo em volta pra ver. E ele me dá um guardanapo com um telefone e "me ligue para dançar". Não tentou nada dessa vez, nem na outra. Só lá pelo terceiro encontro. Um gênio da estratégia.
E a cena da pista se repetiu dezenas de vezes. Era lindo de se ver, mesmo. Sintonia total, empatia à primeira vista, sincronia perfeita. Na pista. Fora dela, o mocinho é um amor, foférrimo e tudo. Pero, não rolou. Pena.
Lembrei disso porque está pintando outro libriano na parada. Só que como nada na minha vida é simples, ele é amigo do canceriano. O melhor amigo.
E eu, a taurina racionalíssima e de ética inquebrantável, já vi que vou ficar nos cascos - ops, quer dizer, na saudade. Eu sempre digo que nenhum homem vale uma amizade, e eu também não valho. Nem uma amizade, nem a Terceira Guerra Mundial, nem um sermão, nada.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
True Blue ou "ainda dói"
Tudo começa numa fase minha de apatia, fase dois básica,onde minha trilha sonora favorita é:
I'm so tired
of falling in love
finding it easy
to fall out..."
Eis que surge o taurino, do nada e como um anjo, inclusive pelos atributos físicos (loirinho, cachinhos, jeito doce...) Passei dias cantarolando
speak kind to a stranger
Cause youll never know
It just might be an angel come
Knockin at your door
And Im waiting on an angel
And I know it wont be long
To find myself a resting place
In my angels arms
Nem tudo são flores, o momento não era o certo, mas eu resolvi dar uma de compreensiva, como sempre e dediquei (de verdade, cantei para ele):
Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas, te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
Tudo porque no fundo eu acreditava na música que ele mesmo me apresentou e me ensinou a gostar...
If the world isn't turning
Your heart won't return
Anyone, anything, anyhow
So take me don't leave me
Take me don't leave me
Baby, love will come through
it's just waiting for you
Até tentei não me jogar de cabeça, mas fica impossível de não se apaixonar quando uma pessoa te acorda na madrugada com uma gravação - cantando, tocando, fazendo segunda voz, assobiando e chupando cana - de uma musica que acabou de aprender só pq tu disse que era uma das tuas favoritas... e a letra também dizia muito. Será que finalmente encontrei alguém que gosta de falar e sentir por músicas?
It's been a long hot summer
Let's get under cover
Don't try too hard to think
Don't think at all
I'm not the only one
Staring at the sun
Afraid of what you'll find
If you took a look inside
I'm not just deaf and dumb
Staring at the sun
Not the only one
Who's happy to go blind
Mas nem tudo são flores e seguindo na linha U2, a situação se tornou estagnada... quem mandou ser boazinha, compreensiva, dar tempo ao tempo e espaço de sobra? Acabei caindo de cabeça sem capacete e ele ficou como uma estátua de sal.
I will not forsake
The colors that you bring
The nights you filled with fireworks
They just left you with nothing
I am still enchanted
By the light you brought to me
I listen through your ears
Through your eyes I can see
You are such a fool
To worry like you do.. Oh
I know it's tough
And you can never get enough
Of what you don't really need now
My, oh my
You've got to get yourself together
You've got stuck in a moment
And you can't get out of it
Oh love, look at you now
You've got yourself stuck in a moment
And you can't get out of it
I was unconscious, half asleep
The water is warm 'til you discover how deep
I wasn't jumping, for me it was a fall
It's a long way down to nothing at all
Caí na real, chorei, me descabelei e eis que surgiu alguém que me quis, mesmo chorando e descabelada. O antigo anjo? É OBVIO, quando sentiu que perdeu, veio atrás.
You never call me when you're sober,
You only want it 'cause it's over - it's over.
How could I have burned paradise.
How could I, you were never mine?
So, don't cry to me.
If you loved me, you would be here with me.
E ele concordou com a última frase, e decidimos que tinha acabado mesmo, porque ele não queria mesmo se envolver com ninguém ainda e eu só iria me magoar. Cada um para o seu lado, ele com a solteirice festiva que ele tanto se apegou e eu com a minha solidão, mas sem jogos, sem trapaças, nem canos e cabeças fumegantes (sim Lou, te plagiei). E no momento em que fomos mais honestos um com o outro, foi um dos pontos mais dolorosos e ao mesmo tempo bonitos de toda a história.
Your heart is not open so I must go
The spell has been broken, I loved you so
Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no
You were my lesson I had to learn
I was your fortress you had to burn
Pain is a warning that something's wrong
I pray to God that it won't be long
Do ya wanna go higher?
There's nothing left to try
There's no place left to hide
There's no greater power
Than the power of good-bye
Your heart is not open so I must go
The spell has been broken, I loved you so
You were my lesson I had to learn
I was your fortress
There's nothing left to lose
There's no more heart to bruise
There's no greater power
Than the power of good-bye
Learn to say good-bye
I yearn to say good-bye
Pouco depois, aquele que não queria se envolver com ninguém, mas que me envolveu e me enredou na sua teia doce, cai na chantagem barata de uma escorpionina e começa a namorar. Sinceramente? Mesmo tendo acabado e de ter ficado tudo esclarecido, me senti traída como nunca. Por mim mesma. É a milésima vez que faço o papel de catalizadora. Sou boazinha, compreensiva, amiga, ensino os princípios do carpe diem e de cuidar dos outros, de ter um relacionamento... Tá, to sendo pretenciosa ao dizer "ensino", mas varios já voltaram para dizer que aprenderam a gostar, viver, ser feliz quando estiveram comigo, a aproveitar cada minutinho e que são gratos a mim por isso, mas que eu cheguei no momento essado e outras conversinhas para boi dormir. Aí eles acabam com a "professora" e vão ser felizes com outra! Sacanagem, né? Pego cheio de problemas, aparentemente "resolvo" - eles não teriam porque voltar e contar depois se não fosse verdade, né? - e aí eles vão ser felizes com outra? Francamente. Cansei. Não quero mais brincar disso. Se o taurino vai voltar? Não sei, todos voltam, uma hora ou outra, mas se é só para agradecer pela felicidade conquistada, dispenso. Chega disso, meu coração não suporta mais.
Enquanto isso fico aqui, cantando mais uma musiquinha e tentando vencer essa apatia que me paralisa. Ah, um doce para quem souber o nome de todas as músicas citadas.
Doença de amor
Só cura com outro
O meu coração
Precisa paixão
Senão bate pouco
Me disfarço bem
Cantando baixinho
Olhando pro céu
Impossível alguém
Se sentir sozinho
Vou subir numa montanha bem alta
Vou chorar, gritar, xingar até ficar exausta
Se perder mais um jogo e outro amor
É sinal que a sorte me deixou em xeque-mate
Livre outra vez
No xadrez
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Cof, cof, tirando a poeira
Tudo bem que essa minha historinha de libriano é chata. Mas existe algum libriano bacanérrimo de quem falar?
"Na pior das hipóteses, devem ser sócios num antiquário. Ou numa empresa de relações públicas. Ambos são ligadíssimos em artes em geral, inclusive a arte da persuasão. Se forem felizes, freqüentarão juntos todas as mostras de cinema, exposições e leilões. Coquetéis também, mas aí algumas divergências podem se manifestar. O touro só irá ao coquetel se o uísque for de primeira linha. O libriano irá para ver e ser visto, e, se possível, impressionar, com comentários sedutores, o artista homenageado. Como o touro não é muito chegado a joguinhos de sedução, vai interpretar de maneira lastimável os modos librianos."
Meu primeiro beijo foi com um libriano.
Mas isso foi há muito tempo.
Há muito tempo também apareceu outro libriano assim, de bobeira, na minha vida. Ele tinha cabelos longos e cacheados, e da primeira vez que o vi tinha aquela cara de recém saído do banho. Os cabelos molhados e aquele perfume. E o humor, meu Deus. Acidez a toda prova. Só podia dar merda.
E deu.
Ele se apaixonou. Fez poemas, fazia pequenos escandalozinhos de demonstração de afeto, escancarava pra deus e pro mundo o quão víbora eu era porque renegava aquele amor tão genuíno.
Só um libriano teria verve suficiente pra dar de presente de aniversário um livro e esconder nele um poema. Tão escondido que eu levei uns seis meses, acho, pra encontrar. Tomei o maior susto.
Mas o tempo passa, né? Dia desses encontrei com ele na rua. Casado, com filhos e tudo o mais. Apresentei aos meus acompanhantes como sendo o "meu" amigo e deixei bem claro que como boa taurina era tudo meu, sempre. Rindo.
E ele, igualmente rindo, responde "É, só que aqui tu nunca veio tomar posse, né?"
Fazer o que? Tsc tsc tsc.
Apatia
terça-feira, 3 de julho de 2007
Acabando com o bloqueio criativo
"A investida agressiva ou sexual não está entre eles. Ele despenderá seu próprio tempo precioso em achar o objeto de seu amor, pois é tão crítico e meticuloso na escolha de uma mulher quanto com o que come, veste, com sua saúde e seus hábitos de trabalho."
HA HA HA
Os dois unicos "virgens" da minha vida eram verdadeiros tarados. Um era praticante e professor de sexo tântrico, mas chegado à investidas passionais também. Tipo... no "day after", ao me encontrar no bar da faculdade, me derrubou por cima de uma mesa, no maior clima "vai comer aqui ou levar p/ casa?" O outro se auto-denominava "Amante Latino" e, dizem as más linguas, já trabalhou como stripper (daí viria o codinome). Desnecessário dizer que nenhum dos dois era chegado à monogamia ou especialmente criterioso na escolha de suas (muitas) vítimas.
Ou seja... ou esse papo aí sobre virginianos é mentira, ou esses meus mentiram a data de nascimento. Então, posso me considerar virgem em virgens da gema.
O mais irônico é que eu tenho marte e venus em virgem, o que em teoria significa que meu homem ideal seria um virginiano. Olha... até admito que atualmente, entre meus alvos, tem um virginiano. Mas quando leio a maioria das definições desse signo, me vem à cabeça a Monica Geller (Friends), a personagem mais cri-cri que eu conheço. Aí eu perco a vontade. Homem bom é homem complicado. Os certinhos merecem o céu e o céu... só se for open bar!
terça-feira, 5 de junho de 2007
Sorvete, chocolate, bala de goma ou um homem, por favor!
"Um orgasmo (ou pote de sorvete) é o tipo de coisa que “reseta” o cérebro feminino e as faz voltar ao normal. Da mesma maneira que reiniciamos o Windows quando o computador fica lento porque rodou vários programas ao mesmo tempo."
Bueno, vou ali comer um pote de sorvete e já volto para tentar escrever um pouquinho e seguir a saga zodiacal.
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Inaugurando a série "Debates"
A matéria completa (vale a pena!) está aqui, ó.
O que vocês acham?
Eu só sei que isso explica pelo menos um dos acontecimentos da minha vida recém-pregressa. Ou ajuda a explicar, porque quero crer que mesmo sem o ocorrido o mocinho daria conta do recado. Aff. Mocinho, que eufemismo.
domingo, 27 de maio de 2007
Virgem? Aham. Sei.
Minha história com um virginiano é tão fora dessa sinastria que poderia muito bem ser um repeteco do leonino. Com a diferença de que levou dois anos pra acontecer.
Quando eu o conheci, tinha quinze anos. Uma pirralha. Ele já tinha vinte, nossa senhora, era um cara feito, bem resolvido, já estava na faculdade enquanto eu sonhava com o dia de me livrar daquela porcaria de sinal da escola sete e meia da manhã todo santo dia.
Era - e foi durante muito tempo - muita areia pro meu caminhãozinho. Um sujeito realmente exuberante. Tão exuberante que nem parece virginiano. Além de ser um cara grande, aqueles ombros largos de remador, ainda tinha uma especial habilidade para parecer absolutamente seguro de si. Podia estar dizendo a maior merda do mundo, mas dizia com uma tal convicção que chegava a assustar.
Foi o que aconteceu dois anos depois, quando toca o telefone lá em casa e eu não sei quem é aquele cara. Nome de anjo... eu não conheço ninguém com esse nome... ah! pelo apelido ficou mais fácil. E eu engasguei, gaguejei, tossi, fiz o diabo. Aquele HOMEM TODO estava me convidando pra ir vê-lo tocar? Nuóssa. Era o meu dia de sorte!
Foi rápido assim que começou e rápido também terminou. Era exuberância demais pra mim. Eu, numa fase dificílima, precisava de alguém que prestasse atenção em mim, um pouquinho que fosse. Ele, numa vida tão leonina quanto a natureza virginiana dele permitia, precisava de alguém que prestasse TODA a atenção nele. O tempo todo. E eu não podia fazer isso, até porque não suportei esse jeito seguro demais a ponto de parecer agressivo.
Um mês depois de terminar, ele me encontra e vem pedir desculpas. Aí já era tarde, meu caminhãozinho tinha crescido e eu queria mais do que aquela areia virginiana convencida.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Meeeeedo, mamãe!
Quando é que eles vão se dar conta que um bom curso de dança faz tudo isso e muito mais na vida de um homem? Homem que dança é tudo de bom! Além de ser coordenado, charmoso e confiante, ainda aprende a ser cavalheiríssimo. Quem é que precisa de curso de sedução quando sabe dançar? Maiores esclarecimentos em breve em post específico sobre homens x dança... mas por enquanto só essa idéia.
Divirtam-se com os depoimentos dos aprendizes do dr. hitch
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Gosto muito de você, leãozinho...mas pára de arrumar o topete e vem cá meu lôro!
O dono da juba de ouro do meu coraçãozinho (ui que brega) já mostrava traços leoninos desde cedo. Sabe aquela fase que os pequenos sonham em ser médicos, pilotos de avião, jogadores de futebol, bailarinas, e até presidentes? Pois este filhote de leão (raio da manhã) achava tudo isso muito furreca e sonhava em ser: ASTRONAUTA, PAPA (não, não bastava ser padre, tinha que ser PAPA, afinal, o Papa é pop) ou REI (queeeee presidente o que!) E mais, dizia que quando crescesse, trocaria de nome para LEOPOLDO, definitivamente um nome bem pomposo, apropriado para papas e reis. Megalomania? Nah, quéiiiisss, imagina!!!
Nos conhecemos na adolescência, eu tinha 14 e ele era "sexy and seventeen", com sua juba proeminente ainda. À primeira vista ele me pareceu um menino simpático, bonitinho e até humilde, inseguro... e a propaganda enganosa correndo solta!
Ficamos amiguinhos por uns meses até rolar o primeiro beijo, numa clássica "Festa do Havaí". Ele foi fofíssimo, um verdadeiro gatinho, carinhoso, ronronante, conquistador. Claro que a carangueja carente aqui caiu de quatro. Para completar, a família toda do moço me acolheu como sua, o que é o verdadeiro paraíso na terra para uma canceriana espaçosa que se preze (vide post a esse respeito).
Por conta desse convívio com a família foi que conheci o lado "grrrrrrraaaawwww" da fera. Furioso por eu ter tomado conta do território dele e me infiltrado inadvertidamente no seu bando. Projetou as garras para fora, deu aquela rosnada e me mandou longe. Eu, que não sou boba nem nada, saí de fininho...
Oito anos se passaram e eis que foi a vez do felino futucar a minha toca e, em pleno aniversário da minha prima (o qual eu não estava, mas ele sim - veja só) ele perguntar por mim e me intimar a ir na festa forte que aconteceria logo mais. A curiosidade matou o gato... e o caranguejo também. "Vim, vi e venci", mais ou menos isso resume a minha chegada na festa. Reencontrei o moço e em menos de duas frases, nos perdemos em algum canto da festa.
Só que junto com ele, reencontrei a familia dele, que eu realmente gosto muito, principalmente da irmã mais nova que é minha amiga e sempre será minha-eterna-cunhada-que-nunca-foi. Pois a irmã me convidou para, no dia seguinte, irmos no Brique(para os não iniciados, o "brique" é um lugar típico de porto alegre, chimarródromo oficial) no dia seguinte, visto que, durante a festa não conversamos, afinal o maninho dela me monopolizou. Mais uma vez acabei por provocar a fera, que me espantou com um rugido de dar inveja à MGM.
Mais 4 anos dois casamentos e uma filha (!) depois, e a fera é encontrada na noite portoalegrense, no maior estilo (como a propria irmã dele muito bem definiu) "galã de rodoviária". É incrível como nos bastam 3 frases de pouquíssimas palavras!
- Oi! Tu por aqui!
- É. Tá solteira? Eu tô
- Tô
Dush! Direto para o canto! Claro, não preciso dizer que no dia seguinte ele teve outra crise de "todo-poderoso-máximo-ser-supremo e disse: ai, vamos deixar assim, senão tu te apaixona de novo por mim, fica proxima da minha família e eu não to querendo compromisso agora. HEIN? Alguém falou nisso? Alguém? Alguém? A única coisa que eu queria, por mera curiosidade de quem tem lua em sagitário era saber como um felino se porta no leito, mero interesse científico! Mas que nada, nesses anos todos, nada além de beijinhos, carinhos e juras de paixão (da parte dele, que fique bem claro) - será que eram para o espelho atrás de nós? - Anyway, nada além disso rolou. Será que ele tem medo que eu aperte minhas pinças em lugares impróprios, bilisque a bunda e deixe marcas indeléveis na pelagem? Não sei, mas sei que marca mesmo eu deixei no id dele, pq de tempos em tempos nos encontramos e apenas o ato do encontro destrói o superego, ele esquece de tudo e me arrebata. Quem sabe daqui ha mais quatro anos eu não termino minha pesquisa de campo? Se descobrir conto para vocês.
Ah sim, mas de uma coisa serviram as 3 tentativas e erros anteriores. Por nada nesse mundo (muito menos por miados e rugidos) eu me afasto da minha amiga, que se mostrou muito mais presente constante que o gatinho da família e nunca, jamais, foi uma isca para tê-lo por perto. E ele que não se meta à besta porque ela é do meu clã também e se ele sabe arranhar eu sei beliscar!!
domingo, 13 de maio de 2007
Pausa para um pedido ao papai do céu.
PLEASE SEND ME SOMEONE TO LOVE
Heaven please send to all mankind,
Understanding and peace of mind.
But, if it's not asking too much
Please send me someone to love.
Show all the world how to get along,
Peace will enter when hate is gone.
But, if it's not asking too much,
Please send me someone to love.
I lay awake night and ponder world troubles.
My answer is always the same.
That unless men put an end to all of this,
Hate will put the world in a flame, (oh) what a shame.
Just because I'm in misery.
I'm not begging for no sympathy.
But if it's not asking too much,
Just send me someone to love.
Heaven please send to all mankind,
Understanding and peace of mind.
But if it's not asking too much,
Please send me someone to love.
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Quinto. Touro x Leão
O interfone toca e o porteiro anuncia que ele está subindo.
Ele já desce do elevador ao telefone.
Ele é alto bem na medida do meu gosto e está, como sempre, impecavelmente vestido com um dos seus ternos.
Aham. Sim. Claro. Pode deixar que eu vou perguntar. Fulano, agora tenho de desligar porque estou entrando na sala do Governador. Tá, pode deixar.
E eu já estou pendurada no pescoço dele, só esperando que ele desligue a porcaria do telefone para me grudar num beijo.
E não é um beijo qualquer. É aquele beijo que me tira do chão.
Aquele perfume, meu Deus.
Aquela cara de cretino preparada pra mentir em qualquer circunstância.
Ele é uma estrela, e eu a platéia embasbacada.
Ele sorri de lado e eu me perco no que ia dizer.
Ele me leva pra sair, me apresenta pros amigos e ama Gary Moore.
Sim, ele é leonino.
E eu só precisei de dois meses pra descobrir que ele não suportava uma platéia de uma assistente só.
Esqueceu-se ele que eu sou uma taurina e não suporto dividir meu pasto com ninguém.
Foi uma pena. Meu CD da Betty Blue voltou arranhado.
terça-feira, 8 de maio de 2007
mais um tumorzinho...

Tem coisas que só um homem de cancer faz por você. Passar dois anos te convidando para jantares, saindo, e escancaradamente querendo coisinha, mas não partindo para a ação nunca porque "conheço teus pais e respeito muito eles, por isso não posso fazer nada" é uma delas. Só um caranguejo tem tão forte essa noção e respeito à familia DESSA FORMA arraigada. E só uma carangueja para entender plenamente isso e não achar que o cara é veado.
Então, depois destes dois longos anos, um belo dia, com o superego devidamente dissolvido, os dois crustáceos finalmente tomam coragem e grudam suas pinças, não sem antes tirar de circulação todas as fotos dos pais da carangueja-fêmea para ele não se sentir desrespeitando a família da moça. A cousa toda termina e canceriano antes tão cheio de dedos me vem com essa:
- Corro o risco do teu pai chegar agora e me pegar de cueca?
- Não. Eles estão viajando...
- Até quero visitar o sogrão, mas de calça, né? Ficar para um churrasco e tal
- Não te preocupa. - imaginando que ele queria aproveitar o momento conchinha mais umas horas antes de ir embora
- Tá, que tu quer de café da manhã? Porque se é assim, vou dormir aqui.
É, minha gente... eles são respeitosos sim, mas são espaçooooosos também, principalmente quando a coisa envolve casa, família, coisas caseiras. Quando se trata de aconchego, qualquer canceriano que se preze manda à PQP princípios, crenças, respeito e o que mais vier pela frente e agarra com unhas e dentes o seu cobertozinho azul. E se vier com um cobertorzinho de orelha junto, aí sim, ele toma conta, deita, rola.
E quando tu menos esperar, tem um caranguejo de chambre, fazendo panquecas numa segunda de manhã na cozinha da tua casa, já íntimo de todos teus armários, mesmo que tenha sido apresentado à eles na noite anterior. Se eu gostei? Tá maluco? Desde quando canceriana gosta que mexam nas suas coisas? Invadimos sim, somos espaçosos sim, mas pode ir saindo fora da minha conchinha que ela é minha e de ninguém mais. Ah, e antes de bater a porta, faz favor de devolver o MEU cobertor!
Chama o Oncologista!
Minha experiência com o ladinho rancoroso dos caranguejos (fora o meu) nem foi com um filho legítimo, e sim, com um pobre coitado que teve o azar de ter lua em câncer (justo a lua, que comanda os sentimentos) e o signo solar em capricórnio (o oposto de câncer).
Pois eis que a cruza de cabrito com caranguejo resolve se apaixonar por essa que vos fala justamente quando eu estava naquela fase adolescente deslumbrada porque começou a chamar a atenção dos mancebos e ele, ao contrário, ainda patinava na fase "patinho feio". Tá, tenho que defender o meu lado. Nunca fui tãããão deslumbrada assim, até porque minha insegurança cancerígena não permite. Mas estava, digamos, numa boa fase. O moço em questão era meu amigo (a meu ver) e me escrevia todo santo dia, e-mails fofíssimos, bilhetinhos na aula, cartinhas... e eu achava extremamente natural aquilo, já que costumo fazer esse tipo de coisa até p/ os postes, que dirá para meus amigos queridos (sim, isso é bem coisa de caranguejo, por isso nem vi a "maldade" por trás). Eis que um belo dia, me chega uma declaração. Uma coisa do tipo "acorda, pára de me ver como amigo que eu quero muito mais que isso", mas em forma de poema. Aiaiai, cacaca. Fudeu a barca como diriam alguns. Porque eu simplesmente NÃO CONSEGUIA enxergar a criatura sem ser como amigo naquela época. Será que por futilidade adolescente de ser pelo fato de ele ser um patinho feio? Não sei, sei que não bateu. E eu fiquei tão constrangida com aquilo tudo que nem sequer respondi o tal e-mail e fui, aos poucos, me afastando, andando de ladinho como uma boa siri fêmea.
SHAME ON ME!
Vários anos se passaram e o Patinho Feio cresceu. E VIROU CISNE. Não, eu não virei um patinho feio, mas é inegável que os anos fizeram muito melhor a ele do que a mim. E eis que o belo cisne então volta ao bando de patos... E a pata aqui, bate os olhinhos e cai de amores. E pior que ele não melhorou só fisicamente. Deixou de ser o bobão da turma, cresceu profissionalmente e, golpe de misericórdia, virou um pé de valsa de primeira!
Não sei se tudo foi capricornianamente calculado ou se foi atração mesmo. O fato é que, logo de chegada, ele já caiu matando para cima de mim, não só sendo receptivo às minhas investidas como eu jamais tinha sido às dele, como atacando de conquistador para o meu lado também. Mas sempre na hora do vamos ver, ele escapava pela tangente, brincando de Matrix, só desviando dos tiros. Ah, não quer? Então tá, também não quero, azar é o teu. Não é porque tu é um cisne agora que eu vou te endeuzar.
Mas o fato é que todas aquelas negativas concomitantes com provocações me instigaram. É, tenho que admitir ele soube jogar a isca dessa vez. E quando eu já tinha quase desistido e voltava aos poucos a tratar ele só como amigo, acontece a seguinte conversa:
Ele - Deixa eu te ver na web cam
Eu - Prá que? Tô com cara de sono.
Ele - Deixa...
Eu - Tá, mala, mas não vai ficar falando das minhas olheiras - ligo a web cam.
Ele - Cansada nada, tá com cara de sapeca, coisa mais querida!
Eu - Sapeca? hahahahaha
Ele - Que que tu tá rindo?
Eu - Nah, ia fazer uma piadinha sobre formas de ser chamada... e sapeca é nova... normalmente eu escuto "safada" ou coisa do genero... mas tu é muito liso, já ia escapar pela tangente e não to afim de me estressar hoje contigo.
Ele - Tu tem um recalque comigo, né?
Eu - Ãhn? Eeeeeeu?
Ele - Tô passando aí para resolver isso AGORA.
E saiu offline. Medo. Achei que em 5 minutos ele entraria online de novo dizendo "ah, te apavorou, né?" Até porque era domingo, duas da manhã. É, em 5 minutos ele apareceu. Na frente da minha casa. Me caiu todos os butiazinho dos bolsos (sic). Fomos para a casa dele "resolver o problema", mas vou contar para vocês... ô bichinho enrolado!!! Vimos jogo de volei na tv, falamos mal dos amigos, bebemos de suco de soja a suco de cevada... e nada... e a madrugada se alongando. Até que lá pelas tantas eu digo: Tá, mas viemos aqui p/ beber ou p/ conversar? E o tal recalque???
Na mesma hora ele me pega pelo braço, me conduz em um bolero - SIM, EU DISSE BOLERO - se afasta e apaga TODAS AS LUZES, me deixando no breu total e sozinha na sala. Aí do nada, vem de surpresa, me pega no colo já aos beijos e me leva p/ o quarto. (Alguém aí escutou sininhos de aleluia? Eu escutei).
Dizem as más linguas que expectativa demais dá dor de barriga e nesse caso não foi diferente. Alguns dias depois, saímos de novo. Ele ainda mais galante, cantando, fazendo massagem, jogando na parede, chamando de lagartixa... mas não adianta. Quando o medo de perder uma amizade é alto e a expectativa é grande, não tem nada que dê jeito.
A despeito disso, eu já estava completamente babando por ele e esse medo, receio ou sei lá o que só deixava o instinto maternal canceriano à flor da pele, querendo cuidar, ajudar e confortar o menininho indefeso. Que que eu fiz? Cravei minhas pinças nele e grudei (shame on me again). E ele? Fugiu sirizisticamente de ladinho, tendo a pachorra ainda de dizer a seguinte frase: "Agora é a tua vez de ver como é que é."
É... não sei se ele chegou realmente se atrair por mim desta vez e a fuga tenha se dado como uma forma de defesa para não se machucar de novo ou não perder a amizade mais uma vez (defesa caprina com casca de siri de apoio). E não sei se isso tudo foi premeditado para me fazer cair de amores e depois me derrubar de vez e se vingar. O fato é que em ambas alternativas, o que falou mais alto foi o tal rancor canceriano. Dizem que elefantes não esquecem, mas quem inventou isso, não conhecia ou pelo menos nunca havia magoado um caranguejo!
